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Entrevista Dra. Amanda Volpato sobre maternidade

“Hoje em dia, leva-se muito em conta a vontade da mãe para escolher o tipo de parto.” A frase é da Dra. Amanda Barreto Volpato Alvarez, médica especialista em Medicina Reprodutiva. Formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, ela atua na área da obstetrícia desde 2005, tendo trabalhado em maternidades de Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Nesta entrevista, fala sobre os tipos de parto, os exames gestacionais mais importantes e a polêmica de dar à luz em casa.

One Health | Quantos tipos de parto existem?

Amanda Volpado | Se formos definir, são dois. Um deles é o parto cirúrgico, que é a cesariana, o outro, o parto vaginal, conhecido como normal. Dentro desse há variações, como cócoras, na água ou a fórceps.

One Health | Em termos de segurança, qual é o mais recomendado?

Temos que levar em consideração a gestante e o bebê. Hoje se fala muito na paciente escolher o tipo de parto que ela quer. Embora seja uma cirurgia, a cesariana é segura e tem suas indicações. Mas o parto vaginal bem assistido, feito com o acompanhamento de um obstetra, também é, desde que a pessoa tenha condições para isso.

One Health | Além da decisão da paciente, o que indica a decisão por um parto normal ou cesariana?

É necessário fazer uma avaliação. Há mulheres que têm a pélvis mais estreita e, para elas, um parto vaginal seria mais difícil, embora fisiologicamente todas tenham condições de passar por ele. Existem, porém, situações que impedem, como alterações da bacia, que faz com que a mulher não tenha essa região apropriada para um bom parto, pré-eclâmpsia [elevação da pressão arterial], diabete gestacional, ou um tamanho muito grande do bebê. Isso acaba levando a uma cesariana. Também é preciso considerar a vontade da paciente. Se ela tem muito medo, não quer sentir dor e acha que não está preparada, o médico não pode forçar uma situação.

“Temos que levar em consideração a gestante e o bebê. Hoje se fala muito na paciente escolher o tipo de parto que ela quer”

One Health | É comum a ocorrência de casos em que está planejado um tipo de parto, e na hora, o bebê nasce de outra maneira?

A obstetrícia é uma caixinha de surpresas. Muitas vezes, a pessoa tem uma cesariana marcada, entra em trabalho de parto, chega com uma boa dilatação ao hospital e acaba passando por um parto vaginal. E vice-versa: a paciente faz toda a preparação, como cursos, fisioterapia, exercícios físicos e na hora não consegue entrar em um parto normal. Às vezes, não tem dilatação e o bebê entra em sofrimento. Assim, temos que partir para uma cesariana.

One Health | Qual o papel do médico quando acontece uma situação como essa?

Ele precisa perceber que não há como manter o plano, acalmar a paciente e explicar que ela será submetida a outro tipo de parto.

One Health | Existe parto normal sem dor?

Algumas mulheres não sentem. Dor é algo muito individual. Tem aquela mulher que entra em pânico já na primeira contração e pensa que não vai conseguir, e aquela que vai bem e não sente dor alguma. Atualmente, algumas até abrem mão da analgesia. Mas, no geral, não dá pra dizer que não vai doer, porque é dolorido (risos).

One Health | Quais são os principais exames que devem ser feitos no decorrer da gestação?

O pré-natal é fundamental. Através dele a gestante tem uma previsão das principais doenças que podem ocorrer durante os nove meses, como diabete gestacional, hipertensão e doenças infecciosas, que podem ser passadas por aleitamento materno. Desse modo, são evitados alguns riscos ao bebê, além da mãe também já ficar sabendo se há necessidade de fazer tratamento, ou não, para o momento do parto.

One Health | O que há de novidades em relação à tecnologia em diagnósticos para o pré-natal?

Nada muito novo. Hoje, as mulheres engravidam mais tarde e a idade aumenta os riscos de doenças cromossômicas. Tornou-se comum o exame para rastreamento de doenças genéticas, que diagnostica precocemente alguma síndrome.

”O Conselho Federal de Medicina não é favorável ao parto em casa, porque é feito sem preparo e sem auxílio de um médico. A mãe corre todos os riscos”

One Health | Como fazer o planejamento perfeito do parto?

Além do pré-natal, a paciente precisa ter um bom diálogo com o médico, para ele colocar todos os prós e contras de um parto normal, além de demonstrar sua vontade. Vale também um acompanhamento multidisciplinar durante a gestação. Por exemplo, é bacana ter uma nutricionista para dar orientações em relação ao ganho de peso e evitar problemas durante e após a gravidez.

One Health | Quais são as consequências da má alimentação para a mãe durante a gravidez?

Para uma gestação única, ou seja, de apenas um bebê, o ideal é ganhar de nove a 12 quilos. Mas há mulheres que engordam muito mais e acabam desenvolvendo diabetes gestacional. E elas correm o risco de, mesmo depois do parto, permanecer diabéticas.Ou seja, por um descuido durante a gravidez, é possível desenvolver uma doença crônica.

One Health | Cada vez mais, vem se falando de parto ativo, aquele em que a mãe ajuda o filho a nascer. Você indica?

É um parto humanizado que vale, sim, se for o desejo da mulher. Ele é feito dentro da água, que sabemos que relaxa, tira um pouco da dor e faz com que ela tenha um parto, digamos, mais natural. Isso porque o bebê está dentro do líquido amniótico e, quando nasce, vai para a água, um ambiente ao qual ele está acostumado. Mas nem toda maternidade oferece esse serviço.

One Health | Faz diferença para a mãe esse tipo de primeiro contato com o filho?

Depende do que a gestante está querendo naquele momento. Não é preciso ser um parto ativo ou vaginal para que o vínculo com o bebê se estabeleça. Existem mulheres que se preparam para isso, querem esse momento de sentir as contrações. Mas acho que até uma cesariana pode ser humanizada também, desde que o médico incentive a amamentação logo depois do nascimento.

One Health | E quanto à polêmica do parto em casa?

O Conselho Federal de Medicina não é favorável a esse procedimento, porque é feito sem preparo e sem auxílio de um médico. A mãe corre todos os riscos. Uma coisa é uma gestante em trabalho de parto dentro de uma unidade hospitalar, com todos os recursos. Outra é em casa. Não se calcula a distância que essa gestante está de um hospital, e qualquer parto, independentemente do tipo, pode ter uma situação de emergência. Existem as parteiras que fazem isso há muito tempo e acham que, com isso, podem dar todo o suporte para um bebê – só que nem sempre isso é real. Geralmente, em um momento de urgência, elas não têm o preparo necessário.

por Geiza Martins – fotos: Guilherme Gomes

fonte: http://www.onehealthmag.com.br/index.php/nao-e-facil-nascer/

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