A criopreservação é o nome dado ao conjunto de técnicas de conservação de células a temperaturas de 196°C negativos com o uso de nitrogênio líquido.

No caso da medicina reprodutiva, as técnicas da criopreservação são aplicadas para preservação de gametas femininos, masculinos e embriões para que possam ser utilizados posteriormente.

A criopreservação atende a necessidades de preservar os gametas para pessoas que, por algum motivo, não apresentem a possibilidade imediata de maternidade ou de paternidade, devido a circunstâncias como tratamento contra o câncer ou doenças que possam, no futuro, afetar a fertilidade.

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Como é realizada a criopreservação

Para a realização da criopreservação é necessário fazer a coleta de óvulos e espermatozoides que devem ser preservados. Para os homens, a técnica de coleta deve ser feita através da masturbação ou de punção testicular, quando há ausência de espermatozoides no sêmen.

Para as mulheres é preciso proceder a indução de ovulação. A coleta dos óvulos é um procedimento cirúrgico bastante simples, exigindo apenas uma sedação e tendo a duração média de 20 minutos, fazendo-se a punção transvaginal guiada por ultrassom.

A punção aspira o líquido do interior dos folículos, obtendo-se, na maior parte das vezes, todos os óvulos produzidos. A quantidade de óvulos que será congelada, portanto, irá depender da resposta de cada paciente ao tratamento de indução.

A criopreservação, no caso de medicina reprodutiva, exige três etapas:

Em primeiro lugar, são adicionadas substâncias crioprotetoras, evitando a formação de cristais de gelo no interior dos espermatozoides, óvulos ou embriões, possibilitando que eles possam ser utilizados no futuro. Essa etapa também preserva as estruturas internas, impedindo a destruição das células.

A seguir são aplicadas as técnicas de congelamento, que podem ser feitas de forma lenta ou rápida. No caso de congelamento lento, a redução da temperatura é feita à velocidade de 0,5 a 2°C por minuto, num freezer programado especificamente para esse tratamento. O processo pode durar até quatro horas, quando as células são depositadas em nitrogênio líquido.

O descongelamento é feito de forma rápida, tendo a duração de menos de uma hora.

O congelamento ultrarrápido ou vitrificação, método mais utilizado atualmente, é a técnica que menos prejudica os gametas e embriões. A velocidade de congelamento é de 2500°C por minuto, fazendo o tempo de congelamento durar no máximo 3 minutos.

Nessa técnica, o descongelamento é feito a 300° por minuto.

Em qualquer método de criopreservação, a última etapa é sempre o armazenamento em tanques de nitrogênio líquido, mantendo o material sob uma temperatura de 196°C negativos. Os gametas ou embriões são colocados em pequenas plaquetas, com a identificação, podendo permanecer congelados por tempo indeterminado.

Há casos de fertilização na medicina reprodutiva em que embriões foram transferidos para o útero depois de 20 anos de criopreservação, resultando em bebês completamente normais.

Para quem é indicada a criopreservação

A criopreservação é um método utilizado para preservar materiais coletados para fertilização in vitro, aproveitando os que não foram usados, podendo ser transferidos no futuro, servindo para casos em que a mulher está sob risco de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana.

A criopreservação também é útil para o armazenamento de gametas dos programas de doação de óvulos e de espermatozoides, atendendo casos de infertilidade masculina ou feminina.

O processo ainda atende pessoas que querer preservar os seus gametas com o objetivo de preservar a própria fertilidade, como no caso de mulheres com menos de 35 anos, que possuem óvulos com maior taxa de sucesso para a gravidez.

Os homens, na maior parte das vezes, se utilizam da criopreservação antes de começar algum tipo de tratamento que possa causar infertilidade, como no caso de quimioterapia ou radioterapia, antes de uma cirurgia de vasectomia ou quanto a profissão oferece algum risco ocupacional.