Muitos avanços ocorreram nos últimos anos para tratar da infertilidade, tanto masculina quanto feminina, e esses avanços também atingiram os meios de cultura, onde são fornecidos os nutrientes necessários para o melhor desenvolvimento dos embriões, nos casos de aplicação de técnicas de medicina reprodutiva.

Em função das novas técnicas e novas culturas, também nos últimos anos aumentou o número de taxas de implantação com sucesso, ocorrendo uma menor relação dentre o número de embriões transferidos e de bebês nascidos. Essa tendência tem aumentado, criando a possibilidade de se transferir cada vez menos embriões em cada tratamento de medicina reprodutiva.

Uma das grandes descobertas que vêm permitindo reduzir o número de embriões na transferência é, certamente, a cultura de blastocisto, quando cerca de 40% no máximo de embriões atingem o estágio para se tornar viável o tratamento da infertilidade.

Quando mantidos em laboratório pelo prazo mínimo de cinco dias, acontece uma significativa redução no número e embriões viáveis, descartando os que não chegam a blastocisto, dando a atenção necessária aos que chegam ao estágio, uma vez que demonstram capacidade de desenvolvimento.

O que é a cultura de blastocisto

O blastocisto é o estágio em que o embrião se encontra a partir do seu quinto dia de desenvolvimento. Nesse estágio, o embrião deve apresentar uma estrutura bem definida, podendo se diferenciar entre o trofoectoderma, ou seja, a estrutura que irá formar a placenta, e a massa celular interna, a estrutura que irá ceder o seu lugar à formação do feto.

Na condição natural de reprodução, o estado blastocisto é quando o embrião se encontra pronto para implantar-se de forma natural no endométrio da mulher.

No caso da medicina reprodutiva, quando o desenvolvimento do embrião é feito no laboratório, isto é, fora do útero, o embrião atinge o estado blastocisto dentro de condições criadas artificialmente, ou seja, na cultura de blastocisto, determinando-se os requisitos nutritivos de cada fase de desenvolvimento durante os primeiros 5 ou 6 dias.

Depois de mantido na cultura de blastocisto, o embrião é então transferido para o útero materno, continuando o seu desenvolvimento normal.

Em situação de tratamento da infertilidade feminina, o prognóstico é de cerca de 65% de casos de gravidez quando é feita a cultura do blastocisto.

O grande desafio para a equipe que trabalha com a cultura do blastocisto é escolher os melhores embriões, os que tenham maior potencial de gerar uma gravidez com sucesso.

A cultura de blastocisto permite que se prolongue o cultivo in vitro, podendo dar melhores condições de seleção dos embriões que serão transferidos, permitindo maior possibilidade de sucesso na gravidez e evitando, ao mesmo tempo, os riscos de uma gravidez múltipla.

Indicação da cultura de blastocisto

A técnica de cultura de blastocisto é indicada para mulheres mais jovens com problema de infertilidade, trazendo algumas vantagens, como as que destacamos a seguir:

  • A cultura do blastocisto até essa fase embrionária permite melhor seleção dos embriões viáveis;
  • A taxa de sucesso na implantação do embrião tem um sensível aumento;
  • Ao mesmo tempo, reduz-se o risco de gestações múltiplas;
  • Permite-se uma sincronização adequada entre o desenvolvimento do embrião e a receptividade endométrica da mãe.

Embora a cultura de blastocisto apresente uma série de vantagens, também inclui alguns pontos que podem ser desfavoráveis:

  • Os meios para a cultura de blastocisto estão sendo sempre aperfeiçoados, mas ainda não trazem a perfeição, mantendo o bloqueio de alguns embriões;
  • Sendo cada organismo diferente um do outro, nem todas as pacientes apresentam o mesmo potencial de aceitação, ao mesmo tempo que nem todos os embriões possuem o mesmo potencial de desenvolvimento;
  • É necessário que haja pelo menos quatro embriões de qualidade no terceiro dia de desenvolvimento na cultura de blastocisto.