A reprodução humana, desde a segunda metade do século XX, tem sido objeto de inúmeros estudos e pesquisas, buscando atender casais que não conseguiam ter filhos por alguma razão orgânica.

Uma das descobertas da medicina reprodutiva foi a constatação de que determinada quantidade de homens possuíam alterações no sêmen, o que impossibilitava que o óvulo fosse fertilizado e, nesses casos, a técnica médica de reprodução humana não se tornava possível.

Em 2007, em Israel, pesquisadores conseguiram demonstrar que as alterações morfológicas em espermatozoides tinham correção com a impossibilidade de fertilização, explicando, dessa forma, porque alguns casos de fertilização não tinham sucesso. Assim, diante das alterações morfológicas, poderiam surgir também anormalidades genéticas ou menor taxa de gravidez.

Na técnica de injeção de espermatozoide morfologicamente selecionado, apenas um espermatozoide é injetado no óvulo através de agulha. Os espermatozoides são avaliados com microscópio, sendo selecionado aquele que tiver maior mobilidade e morfologia dentro dos padrões e, assim, casais que não conseguem se reproduzir conseguem realizar o sonho de serem pais.

Injeção de Espermatozoide Morfologicamente Selecionado

Como funciona o tratamento na medicina reprodutiva

A utilização da técnica de injeção de espermatozoide morfologicamente selecionado apresenta-se como tratamento para os pacientes que tenham problemas na fertilização.

A técnica pode escolher o melhor espermatozoide, depois de uma criteriosa avaliação, podendo ser injetado no óvulo feminino e garantindo a fertilização. Havendo espermatozoides favoráveis, a fertilização pode ocorrer sem maiores problemas.

No entanto, em casos que o homem não apresenta espermatozoides na ejaculação, os mesmos podem ser obtidos no testículo ou no epidídimo, sendo depois selecionados pelo operador. Nesses casos, o homem deve ser submetido a um tratamento, usando medicamentos para corrigir o distúrbio, com reposição de hormônios, como gonadotrofinas, estimulando os testículos para a produção dos espermatozoides.

No caso da mulher, se necessário também é aplicado um tratamento para a estimulação ovariana, com injeções que aumentam a produção de óvulos para se obter mais certeza nos resultados do tratamento.

Esse tratamento, em média, dura de 20 a 30 dias.

Benefícios do tratamento

A técnica de injeção de espermatozoide morfologicamente selecionado para a reprodução humana traz, como principal benefício, maior garantia de gravidez para casais sem filhos, sendo uma das melhores alternativas apresentadas pela medicina reprodutiva para tratamento dos casos mais graves de infertilidade provenientes do homem.

A taxa de fertilização nesse tipo de tratamento está em torno de 70% e os índices de gravidez são similares àqueles encontrados na fertilização in vitro convencional. Além disso, a técnica, através do tratamento, propicia que homens que tenham pouca ou nenhuma quantidade de espermatozoides possam voltar a ter normalidade na produção dos mesmos, possibilitando uma vida emocionalmente mais saudável.

Indicação do tratamento de espermatozoide morfologicamente selecionado

O tratamento para injeção de espermatozoide morfologicamente selecionado é indicado nos casos em que se verifica dificuldade ou impossibilidade de fertilização por parte do homem, podendo ser aplicado depois de uma cuidadosa análise de cada caso, por médicos especializados em medicina reprodutiva.

O método poderá ser aplicado quando constatado que o homem produz baixa quantidade de espermatozoides, ou mesmo quando os espermatozoides apresentam baixa motilidade, ou seja, quando se tornam incapazes de atingir o óvulo para sua fertilização.

A indicação também pode ser favorável no caso de haver alteração na forma dos espermatozoides, quando deve ser feita a seleção através da verificação dos mais propícios para a fertilização, ou quando houve falhas repetidas nos casos de fertilização in vitro.

O método ainda se apresenta favorável para fertilização de casais que não conseguem ter filhos em virtude de distúrbios na ejaculação, atendendo também casos de pacientes que tenham o sêmen preservado em casos de doenças graves ou incuráveis.