Casais sorodiscordantes, na medicina reprodutiva, são aqueles em que um dos parceiros é portador de alguma doença infectocontagiosa, ou seja, que pode ser transmitida por via sexual, impedindo que haja a fertilidade através de vias naturais sem o risco de contaminação do indivíduo não infectado.

Entre os problemas mais comuns de doenças nos casais sorodiscordantes estão a hepatite (B ou C), o HIV e HTLV.

Há alguns anos, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva recomendava que não houvesse gestação em casais sorodiscordantes. No entanto, com o grande avanço no tratamento dessas doenças, atualmente permite-se que casais nessas condições possam ter filhos, oferecendo maior segurança na fertilidade.

Para se conseguir uma gestação natural corria-se o risco de transmissão da doença ao parceiro. No caso de pacientes infectados com HIV, o risco de contaminação da mulher é de 4% e, no caso da mulher existe ainda a preocupação da transmissão vertical para a criança nos períodos de gravidez, do parto e do aleitamento.

Como é o tratamento de casais sorodiscordantes

O tratamento para casais sorodiscordantes exige que os pacientes passem por exames de avaliação da infecção e do potencial reprodutivo, com a análise dos fatores que possam comprometer uma possível gravidez. A avaliação da saúde é feita com um todo, num trabalho integrado de infectologistas.

O esperma do paciente é avaliado, submetido a processos de centrifugação, lavagem e filtragem, separando-se o plasma seminal, onde o vírus se concentra, dos espermatozoides.

Uma parte da amostra é analisada para verificação da quantidade de RNA viral, para que não haja contaminação, enquanto outra parte é congelada e mantida em quarentena.

Havendo ausência de vírus, os espermatozoides congelados podem ser utilizados na medicina reprodutiva assistida, avaliando não só a possibilidade de perda de espermatozoides, como também o tratamento mais indicado para prosseguir com a gravidez. As condições da mulher também são analisadas, com critérios bem definidos para garantir a saúde da gestante e do feto.

Nos tratamentos de inseminação artificial com baixa complexidade, os espermatozoides sadios são inseridos no útero no período de ovulação. No caso de fertilização in vitro, os espermatozoides são colocados em contato com os óvulos em laboratório, sendo depois os embriões implantados no útero.

A terceira possibilidade para gravidez de casais sorodiscordantes é a FIV por ICSI, uma técnica mais sofisticada, injetando-se o espermatozoide no óvulo, em laboratório, para fertilização e posterior implantação no útero.

Um paciente portador de HIV, com as técnicas da medicina reprodutiva, pode gerar um bebê sem que haja riscos de contaminação para a mãe e para o filho.

Indicação do tratamento para casais sorodiscordantes

O tratamento de casais sorodiscordantes é indicado para os seguintes casos:

1.      Somente o homem infectado

Esta é a situação mais comum, não havendo contraindicação para a gestação, uma vez que a mulher não está contaminada. O procedimento, nesse caso, é a lavagem seminal, separando-se os espermatozoides infectados dos sadios para que possam ser utilizados na medicina reprodutiva.

2.      Casal infectado

Para o caso de ambos estarem infectados, o que irá definir a realização do procedimento ou não é o estado clínico da mulher. Se a carga viral positiva for baixa em ambos, com condições clínicas satisfatórias por parte da mulher, a gravidez é possível através das técnicas de reprodução assistidas.

3.      Mulher infectada

O quadro clínico da mulher é o fator mais importante nesse tipo de caso. Pode-se, na medicina reprodutiva, tanto fazer a inseminação intrauterina como a fertilização in vitro, embora seja importante entender que a mulher pode transmitir verticalmente a doença para o feto.

A taxa de infecção pode ser reduzida mediante a terapia com medicamentos tanto para a mãe quanto para o bebê, havendo também a opção de cesárea seletiva.